Como Cozinhar um Lobo?

A crise está feia, e procurando um pouco de frescor e inspiração, voltei a ler Como Cozinhar um Lobo - livro de M. F. K. Fisher, escrito em 1942, no meio da Segunda Guerra Mundial. Nenhum animal saiu ferido na história. O Lobo em questão é uma metáfora para a fome, que bufava e soprava às portas das casas do cidadão comum, europeu e americano também.

O tema do livro é "comida de crise", e nas palavras de Nina Horta, o "documento sobre a alimentação em tempos de escassez, é um manual sobre como descomplicar a vida, sobre como questionar a informação científica e pseudocientífica, as convenções e os preconceitos."

Apesar do quadro brasileiro não chegar aos pés de uma situação de guerra (quando produtos frescos somem dos mercados), esse livro deu um super empurrão para a criação do Orgulho Xepa. Bastou pesquisar no Google imagens por receitas econômicas: O resultado foi um mundo monocromático, amarelo, um festival de de amidos vazios em nutrientes, frituras, gorduras baratas, muito produto industrializado e quase nada de produtos frescos. Busca lá receitas econômicas e me conta o que você vê. Pensei, preciso provar que comer bem, com pouca grana, é possível.

Comer bem sai mais caro que comer mal? Sim, mas não precisa ser por muito. É ficar de olho na sazonalidade dos produtos, pois o que está disponível em abundância em cada época segue a lei da oferta e procura, e a chance de você fazer uma boa compra é muito maior. Então vamos caprichar nas escolhas dos produtos frescos, na criatividade e equilibrar com grãos nutritivos, integrais, que convenhamos, não são caros. Por mais mequetrefe que esteja a economia do nosso país, a gente não pode se queixar do clima, do colorido e a fertilidade dessa terra.

Como a gente gosta de dizer, estamos duros, mas somos frescos. Um 2016 com muita inspiração e frescura para todos nós!

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